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BIBLIOGRAFIA DAS PUBLICAÇÕES INDÍGENAS DO BRASIL

 

É com alegria que trazemos a público este projeto, semeado em nossos sonhos há muito tempo e colocado em ação neste ano de 2019. Trata-se de uma bibliografia colaborativa que tem o objetivo de inventariar a produção bibliográfica indígena do Brasil e servir como fonte de informação para pesquisadores e leitores!

CLIQUE NA IMAGEM OU AQUI PARA ACESSAR A BIBLIOGRAFIA!

Coordenado pela bibliotecária e pesquisadora Aline Franca, pelo escritor Daniel Munduruku e pelo bibliotecário e pesquisador Thulio Dias, a BIBLIOGRAFIA DAS PUBLICAÇÕES INDÍGENAS DO BRASIL está disponível na plataforma Wikilivros.  A proposta é que qualquer pessoa possa colaborar com o conteúdo, seguindo os padrões previamente estabelecidos pelos coordenadores. O conteúdo está disponível gratuitamente, para utilização sem fins lucrativos.

O conteúdo desta bibliografia divide-se nas seguintes seções:

  • Lista de autores (por origem): reúne o nome dos escritores indígenas de acordo com seu povo de origem;
  • Lista geral de Publicações (ordenada pelo nome do autor): listagem dos livros publicados por escritores indígenas no Brasil. Possui obras literárias e não literárias. As obras são referenciadas de acordo com a NBR 6023, ordenadas alfabeticamente;
  • Lista de antologias indígenas: apresenta as antologias formadas exclusivamente por escritores, artistas e pensadores indígenas. Identifica nominalmente os autores participantes.
  • Teses e dissertações: relaciona as teses e dissertações produzidas por pesquisadores indígenas do Brasil e possui links de acesso ao respectivo Currículo Lattes e ao texto integral (quando disponível). As teses e dissertações são agrupadas por áreas temáticas, ordenadas cronologicamente pelo ano de defesa.

Outras seções estão previstas para criação futura.

Nos ajude a crescer enviando a sua colaboração para [email protected].
[Arte da capa gentilmente cedida por Mauricio Negro]
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Lamento Nacional de um Guerreiro – Moura Tukano

LAMENTO NACIONAL DE UM GUERREIRO, por Moura Tukano 

Ouviram do Ipiranga, às margens plácidas,
atrás das margens, gritos reprimidos por tortura,
lágrimas de um povo heróico – o brado que não retumba.
O sol da liberdade, em raios contidos,
tem vergonha de brilhar em nossa Pátria.

Se a mentira desta igualdade conseguimos demonstrar com braços mortos,
em teu seio, ó Liberdade, desafia a mortandade planejada.
Ó Pátria amada, atraiçoada, queremos te salvar!

Brasil, de um sonho intenso e pesadelo imenso.
Um raio frio de amor e de esperança, com a Terra chora.
Se, em teu fumacento céu, choroso e inerte,
a imagem do Cruzeiro, de vergonha, não aparece.
Gigante pela própria natureza!
És devastada, destruída, humilhada e fragilizada, sem amor,
ó antigo colosso, e o teu futuro espelha esse horror.
Terra adorada por poucos – somente pelos filhos da Terra.
Entre outras mil, és tu, Brasil, como as demais latino-terras
Dos filhos indignos deste solo és mãe humilhada,
Pátria amada por poucos… Brasil.

Deitado eternamente amordaçado e outros em berço esplêndido,
ao som do mar e rios poluídos, trevas que afrontam o céu profundo.
Fulguras, ó Brasil, como 3º Mundo,
como lixo da América abandonado e violado
na camuflagem que impede a chegada do sol para um novo mundo.
Do que a terra, mais varrida,
teus chorosos, tristes campos não têm flores.
Nossos bosques têm desertos,
nossa vida, no teu seio, mais horrores.

Ó Pátria amada,
idolatrada por alguns,
salve-se! Salve-se!

Brasil, de amor oculto nas florestas, seja símbolo.
O lábaro que ostentas camuflado.
E diga, ao verde-louro desbotado pela farsa,
que a Paz é possível no futuro
se os falsos filhos forem embora
para cicatrizar as chagas do passado!
Mas se ergues da justiça (clavada) verás que só os verdadeiros filhos não fogem à luta
e te cultuam nos resguardos das florestas e aldeias isoladas.
Nem teme, quem te adora de verdade, sem dinheiro, sem títulos e sem fardas.
Terra adorada!
Entre outras mil, também és saqueada e humilhada.
Dos filhos deste solo, tens vergonha dos que violam tuas entranhas,
deserdados pela força de ancestrais heróis que ora se juntam a nós – filhos autênticos – que por ti morreram e morrem, Mãe Gentil,

PÁTRIA ARMADA E AMARRADA, BRASIL!

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O que não fazer no dia do índio, por Daniel Munduruku

 

O chamado “Dia do Índio”, aqui mencionado propositalmente entre aspas, continua sendo um impasse para muitos educadores. Utilizamos as aspas pois a celebração do dia 19 de abril há muito não tem alcançado seu propósito de proporcionar a reflexão, a valorização e o respeito aos povos indígenas. Da mesma forma que a data pode trazer a oportunidade para o aprendizado lúdico sobre a diversidade indígena do nosso país, alguns educadores ainda seguem estagnados em práticas que apenas reproduzem estereótipos que não refletem a realidade dos povos indígenas na atualidade. As sociedades se atualizam e não há mais espaço para “brincar de índio”. As palavras de ordem agora são conhecimento e respeito.

No dia 25 de setembro de 2018, Daniel Munduruku participou da quinta edição do Educação 360, um encontro internacional que reúne pessoas que vivenciam e pensam a educação sob diferentes e novos pontos de vista e põem em prática iniciativas transformadoras, realizado no Rio de Janeiro (RJ).

Com o tema “O que não fazer no Dia do Índio“, Daniel não trouxe um passo-a-passo do que deveria ou não ser feito. Mais do que isso, propôs uma reflexão profunda aos educadores presentes sobre a necessidade de abordar a temática indígena não apenas por uma perspectiva histórica, mas compreendendo os indígenas como contemporâneos.

“É preciso atualizar o repertório dos educadores. Atualizar significa trazer pro presente, pro agora, pra este momento que nós estamos vivendo. Que o professor comece a pensar a temática indígena não como uma temática presa ao passado, mas que ele comece a olhar, a ver, de hoje pra trás. Aí ele vai entender o que é o ‘pra trás’… Mas olhando de hoje, olhando esses povos como seus contemporâneos” – Daniel Munduruku

A participação do público com perguntas e relatos pessoais gerou um debate frutífero ao final do evento. Para ouvir como foi este bate-papo, clique no player a seguir e deixe seu comentário:

 

Sugestão de leitura:

Mundurukando 2 – Daniel Munduruku

Em Mundurukando 2, Daniel Munduruku revisita a história do Brasil, contando como a nossa sociedade via e ainda vê os povos indígenas e o que aconteceu com eles desde a chegada dos portugueses no Brasil até os tempos atuais.

Além disso, ele, mais uma vez, brinda o leitor com a sabedoria indígena das histórias aprendidas em sua infância e de histórias que aconteceram com ele próprio. Fala de preconceito e extermínio, mas também conta histórias cheias de reflexões e poesia.

Esta conversa sobre vivências, piolhos e afetos também nos apresenta muitas dicas de filmes e livros que abordam os povos indígenas sob vários aspectos, proporcionando a ampliação de nossa visão e o conhecimento da cultura desses povos.

 

 

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“Por amor à vida”, de Auritha Tabajara

O mês de setembro, no Brasil, é marcado pela campanha Setembro Amarelo, de prevenção ao suicídio. Iniciada em 2015, é uma ação conjunta com a iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

No contexto dos povos indígenas, a taxa de mortalidade por suicídio é quase três vezes maiores do que a média nacional. A maioria das mortes indígenas (44,8%) ocorrem na faixa etária de 10 a 19 anos, ao contrário do panorama geral, em que os adultos de 20 a 39 anos respondem pela maior proporção dos registros.

“Mais do que desistência da vida, o  suicídio indígena é um protesto silencioso de quem escolheu romper com o excesso de folclore e a escassez de direitos.”

 

A questão fundiária, a ineficácia do Estado, a ausência de políticas públicas efetivas e a falta de perspectiva de futuro são apontados como fatores determinantes para este quadro.

Com uma mensagem de alerta pela valorização da vida, a cordelista Auritha Tabajara envia para todos uma mensagem através de seus versos:

 

Por amor à vida – Auritha Tabajara

Setembro 2018

 

Sei que muita gente sofre

És uma realidade

Um sintoma perigoso

Desde a tal ansiedade

Causando em si uma dor

A vida perde o valor

Dentro da sociedade

 

Vivemos tempos difíceis

Mas não podemos falhar

Quem é mãe de adolescente

Sabe o que eu quero falar

Pois o nosso coração

Se desdobra em aflição

Ao no seu filho pensar

 

Nós que somos mães e pais

E também sociedade

Vamos dar mais atenção

Nossos filhos prioridade

Sofrer sem deixar de amar

Só o amor pode evitar

O fim da humanidade

 

Dialogar com paciência

Humildade, admiração

Estimula e valoriza

Exercício de inspiração

Por favor abra seu olho

Seu filho és um tesouro

Não deixe em outras mãos.

 

Leia mais sobre este assunto aqui e aqui.