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CINCO IDEIAS EQUIVOCADAS SOBRE OS ÍNDIOS, de José Ribamar Bessa Freire

 

 

Quantas ideias equivocadas você já ouviu sobre os povos indígenas? Quantas mentiras já viu sendo disseminadas por aí?

Hoje,  dia 1º de abril (o famoso “Dia da Mentira”) compartilhamos o texto conhecido, porém indispensável, do professor José Ribamar Bessa Freire. Em “Cinco ideias equivocadas sobre os índios” Bessa nos alerta para as imagens que são reproduzidas largamente, reforçando estereótipos acerca dos povos indígenas do Brasil. Se você chegou até aqui, você já sabe que “índio” não vive em “oca” e não acredita que “Tupã é o Deus dos índios”. Convidamos você a refletir sobre as ideias equivocadas que você já deve ter visto por em alguns discursos.

Primeiro equívoco: o índio genérico.

O segundo equívoco: culturas atrasadas.

Terceiro equívoco: culturas congeladas.

Quarto equívoco: os índios pertencem ao passado.

O quinto equívoco: o brasileiro não é índio.

 

Leia o texto na íntegra clicando aqui!

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BIBLIOGRAFIA DAS PUBLICAÇÕES INDÍGENAS DO BRASIL

 

É com alegria que trazemos a público este projeto, semeado em nossos sonhos há muito tempo e colocado em ação neste ano de 2019. Trata-se de uma bibliografia colaborativa que tem o objetivo de inventariar a produção bibliográfica indígena do Brasil e servir como fonte de informação para pesquisadores e leitores!

CLIQUE NA IMAGEM OU AQUI PARA ACESSAR A BIBLIOGRAFIA!

Coordenado pela bibliotecária e pesquisadora Aline Franca, pelo escritor Daniel Munduruku e pelo bibliotecário e pesquisador Thulio Dias, a BIBLIOGRAFIA DAS PUBLICAÇÕES INDÍGENAS DO BRASIL está disponível na plataforma Wikilivros.  A proposta é que qualquer pessoa possa colaborar com o conteúdo, seguindo os padrões previamente estabelecidos pelos coordenadores. O conteúdo está disponível gratuitamente, para utilização sem fins lucrativos.

O conteúdo desta bibliografia divide-se nas seguintes seções:

  • Lista de autores (por origem): reúne o nome dos escritores indígenas de acordo com seu povo de origem;
  • Lista geral de Publicações (ordenada pelo nome do autor): listagem dos livros publicados por escritores indígenas no Brasil. Possui obras literárias e não literárias. As obras são referenciadas de acordo com a NBR 6023, ordenadas alfabeticamente;
  • Lista de antologias indígenas: apresenta as antologias formadas exclusivamente por escritores, artistas e pensadores indígenas. Identifica nominalmente os autores participantes.
  • Teses e dissertações: relaciona as teses e dissertações produzidas por pesquisadores indígenas do Brasil e possui links de acesso ao respectivo Currículo Lattes e ao texto integral (quando disponível). As teses e dissertações são agrupadas por áreas temáticas, ordenadas cronologicamente pelo ano de defesa.

Outras seções estão previstas para criação futura.

Nos ajude a crescer enviando a sua colaboração para [email protected].
[Arte da capa gentilmente cedida por Mauricio Negro]
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Lamento Nacional de um Guerreiro – Moura Tukano

LAMENTO NACIONAL DE UM GUERREIRO, por Moura Tukano 

Ouviram do Ipiranga, às margens plácidas,
atrás das margens, gritos reprimidos por tortura,
lágrimas de um povo heróico – o brado que não retumba.
O sol da liberdade, em raios contidos,
tem vergonha de brilhar em nossa Pátria.

Se a mentira desta igualdade conseguimos demonstrar com braços mortos,
em teu seio, ó Liberdade, desafia a mortandade planejada.
Ó Pátria amada, atraiçoada, queremos te salvar!

Brasil, de um sonho intenso e pesadelo imenso.
Um raio frio de amor e de esperança, com a Terra chora.
Se, em teu fumacento céu, choroso e inerte,
a imagem do Cruzeiro, de vergonha, não aparece.
Gigante pela própria natureza!
És devastada, destruída, humilhada e fragilizada, sem amor,
ó antigo colosso, e o teu futuro espelha esse horror.
Terra adorada por poucos – somente pelos filhos da Terra.
Entre outras mil, és tu, Brasil, como as demais latino-terras
Dos filhos indignos deste solo és mãe humilhada,
Pátria amada por poucos… Brasil.

Deitado eternamente amordaçado e outros em berço esplêndido,
ao som do mar e rios poluídos, trevas que afrontam o céu profundo.
Fulguras, ó Brasil, como 3º Mundo,
como lixo da América abandonado e violado
na camuflagem que impede a chegada do sol para um novo mundo.
Do que a terra, mais varrida,
teus chorosos, tristes campos não têm flores.
Nossos bosques têm desertos,
nossa vida, no teu seio, mais horrores.

Ó Pátria amada,
idolatrada por alguns,
salve-se! Salve-se!

Brasil, de amor oculto nas florestas, seja símbolo.
O lábaro que ostentas camuflado.
E diga, ao verde-louro desbotado pela farsa,
que a Paz é possível no futuro
se os falsos filhos forem embora
para cicatrizar as chagas do passado!
Mas se ergues da justiça (clavada) verás que só os verdadeiros filhos não fogem à luta
e te cultuam nos resguardos das florestas e aldeias isoladas.
Nem teme, quem te adora de verdade, sem dinheiro, sem títulos e sem fardas.
Terra adorada!
Entre outras mil, também és saqueada e humilhada.
Dos filhos deste solo, tens vergonha dos que violam tuas entranhas,
deserdados pela força de ancestrais heróis que ora se juntam a nós – filhos autênticos – que por ti morreram e morrem, Mãe Gentil,

PÁTRIA ARMADA E AMARRADA, BRASIL!

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O que não fazer no dia do índio, por Daniel Munduruku

 

O chamado “Dia do Índio”, aqui mencionado propositalmente entre aspas, continua sendo um impasse para muitos educadores. Utilizamos as aspas pois a celebração do dia 19 de abril há muito não tem alcançado seu propósito de proporcionar a reflexão, a valorização e o respeito aos povos indígenas. Da mesma forma que a data pode trazer a oportunidade para o aprendizado lúdico sobre a diversidade indígena do nosso país, alguns educadores ainda seguem estagnados em práticas que apenas reproduzem estereótipos que não refletem a realidade dos povos indígenas na atualidade. As sociedades se atualizam e não há mais espaço para “brincar de índio”. As palavras de ordem agora são conhecimento e respeito.

No dia 25 de setembro de 2018, Daniel Munduruku participou da quinta edição do Educação 360, um encontro internacional que reúne pessoas que vivenciam e pensam a educação sob diferentes e novos pontos de vista e põem em prática iniciativas transformadoras, realizado no Rio de Janeiro (RJ).

Com o tema “O que não fazer no Dia do Índio“, Daniel não trouxe um passo-a-passo do que deveria ou não ser feito. Mais do que isso, propôs uma reflexão profunda aos educadores presentes sobre a necessidade de abordar a temática indígena não apenas por uma perspectiva histórica, mas compreendendo os indígenas como contemporâneos.

“É preciso atualizar o repertório dos educadores. Atualizar significa trazer pro presente, pro agora, pra este momento que nós estamos vivendo. Que o professor comece a pensar a temática indígena não como uma temática presa ao passado, mas que ele comece a olhar, a ver, de hoje pra trás. Aí ele vai entender o que é o ‘pra trás’… Mas olhando de hoje, olhando esses povos como seus contemporâneos” – Daniel Munduruku

A participação do público com perguntas e relatos pessoais gerou um debate frutífero ao final do evento. Para ouvir como foi este bate-papo, clique no player a seguir e deixe seu comentário:

 

Sugestão de leitura:

Mundurukando 2 – Daniel Munduruku

Em Mundurukando 2, Daniel Munduruku revisita a história do Brasil, contando como a nossa sociedade via e ainda vê os povos indígenas e o que aconteceu com eles desde a chegada dos portugueses no Brasil até os tempos atuais.

Além disso, ele, mais uma vez, brinda o leitor com a sabedoria indígena das histórias aprendidas em sua infância e de histórias que aconteceram com ele próprio. Fala de preconceito e extermínio, mas também conta histórias cheias de reflexões e poesia.

Esta conversa sobre vivências, piolhos e afetos também nos apresenta muitas dicas de filmes e livros que abordam os povos indígenas sob vários aspectos, proporcionando a ampliação de nossa visão e o conhecimento da cultura desses povos.

 

 

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“Por amor à vida”, de Auritha Tabajara

O mês de setembro, no Brasil, é marcado pela campanha Setembro Amarelo, de prevenção ao suicídio. Iniciada em 2015, é uma ação conjunta com a iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

No contexto dos povos indígenas, a taxa de mortalidade por suicídio é quase três vezes maiores do que a média nacional. A maioria das mortes indígenas (44,8%) ocorrem na faixa etária de 10 a 19 anos, ao contrário do panorama geral, em que os adultos de 20 a 39 anos respondem pela maior proporção dos registros.

“Mais do que desistência da vida, o  suicídio indígena é um protesto silencioso de quem escolheu romper com o excesso de folclore e a escassez de direitos.”

 

A questão fundiária, a ineficácia do Estado, a ausência de políticas públicas efetivas e a falta de perspectiva de futuro são apontados como fatores determinantes para este quadro.

Com uma mensagem de alerta pela valorização da vida, a cordelista Auritha Tabajara envia para todos uma mensagem através de seus versos:

 

Por amor à vida – Auritha Tabajara

Setembro 2018

 

Sei que muita gente sofre

És uma realidade

Um sintoma perigoso

Desde a tal ansiedade

Causando em si uma dor

A vida perde o valor

Dentro da sociedade

 

Vivemos tempos difíceis

Mas não podemos falhar

Quem é mãe de adolescente

Sabe o que eu quero falar

Pois o nosso coração

Se desdobra em aflição

Ao no seu filho pensar

 

Nós que somos mães e pais

E também sociedade

Vamos dar mais atenção

Nossos filhos prioridade

Sofrer sem deixar de amar

Só o amor pode evitar

O fim da humanidade

 

Dialogar com paciência

Humildade, admiração

Estimula e valoriza

Exercício de inspiração

Por favor abra seu olho

Seu filho és um tesouro

Não deixe em outras mãos.

 

Leia mais sobre este assunto aqui e aqui.